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Minha Vida

A jovem garota estava dentro de um trem do metro. Ela não lembra direito quanto tempo está lá, só sabe que deveria descer nessa estação, nesta que ele acabou de parar, e mudar de trem, para o outro trem que ela via passar. Não, eu também não sei direito o porquê. A questão é que ela desceu e saiu andando em busca da outra linha. Era uma estação muito bonita e futurista, me lembrava obras do gênio do Oscar. Era uma estação alta e aberta, cheias de vidros onde entrava claridade, as paredes eram formadas por tiras vermelhas e piso com carpete preto.

Acabou se perdendo entre a multidão de pessoas que andavam de um lado para o outro. Estava tendo algum tipo de brincadeira ou disputa por lá. A jovem já estava meio cansada de procurar o trem sozinha, então se juntou a eles. Tinham várias pessoas da sua idade, mas diferente dela, elas não sabiam o que estavam procurando. Encontrou no meio deles duas amigas, inclusive, e decidiu que não teria problema em explorar em conjunto. Contou as meninas sobre o trem que procurava e elas decidiram ajuda-la, sem muita empolgação pela descoberta, só por ter algo mais concreto agora. De qualquer jeito eram competitivas, não queriam ninguém mais sabendo, ninguém mais por perto, por mais que não achassem grande coisa, isso era prioridade delas.

Passaram por grandes escadas estofadas pelo carpete preto. Desceram algumas que levavam para um lugar cheio de outras escadas, todas descendo até chegar em uma região mais vazia do metrô o problema é que era sem saída. Quando chegaram lá em baixo, perceberam que o lugar que estavam era perfeito para quem chegasse lá em cima as visse muito facilmente. Decidiram sair dali rapidamente.

Não entendeu direito o que aconteceu a seguir. Apareceu um pessoal lá em cima e os que estavam em baixo com ela, saíram correndo pelas escadas, todos correram por um tempo, tentando se distanciar do outro. Também subiu correndo querendo não se deixar ser pega ou vista. Até que só havia sobrado a ela lá em cima, já se esquecendo dos outros, iria voltar ao que realmente foi fazer ali e continuar a procurar o trem, sem toda aquela confusão. Mas suas amigas acabaram a reencontrando e afobadas, lhe contaram que todos os outros haviam pegado um ônibus lá fora para irem embora, que estava ficando tarde.

Já a jovem disse que iriam atrás do trem no qual ela veio, pois ele seria muito mais rápido e confortável do que um ônibus. As meninas que estavam hesitantes acabaram puxando-a para fora da estação. Quando passaram pela saída a jovem reconheceu aquele lugar instantaneamente, foi o lugar que estava próximo de onde ela veio, logo depois de sair do trem, isso indica que ela está próxima de onde os trens passam e seu coração se encheu de esperança. Mesmo assim foi guiada pelas outras e saiu seguindo em direção a esquina onde tinha um ponto de ônibus. Já era fim de tarde, o céu estava começando a escurecer
as luzes estavam começando a serem acessas.

Quanto mais o ônibus demorava a passar, mais a jovem olhava para a estação com intenção de voltar lá. Até que finalmente o ônibus passou, as duas outras garotas vibraram felizes, mas a jovem não, ver aquele ônibus lhe dava um aperto no estomago ela já havia visto o transporte bem melhor, ela sabia que ele estava lá. Nesse ônibus com seu letreiro já acesso pelo fim de tarde lhe ficava evidente que aquilo não era para ela. Ele seria extremamente demorado. Ela também queria ir a outro lugar, mas olhava para a estação pensando em como seria bom se ela entrasse lá e conseguisse pegar aquele trem para ir a esse outro lugar.

As meninas a puxaram pela mão para entrar no ônibus, mas ela rejeitou meio sem graça. As meninas não entenderam, nem ela mesma entendia, deixar a segurança e o que todos fizeram normalmente, pela esperança que ela tem de encontrar o suposto trem que ela viu, do qual ela nem sabia mais se realmente viu. Suas lembranças dele iam se apagando. De qualquer jeito agora era tarde demais, o ônibus partiu.

Com isso ela voltou a estação e continuou a procurar, aquela memoria meio fosca a guiava, por sua cabeça sondava a insegurança, o medo de ter deixado tudo partir por só uma ilusão, por um engano, um nada que realmente nunca existiu. O incerto de que a fazia procurar o trem, não chegava a ser ambição, ela simplesmente achava que sabia da existência dele e quando ela achasse, compensaria toda a procura. Mais rápido, mais confortável, mais seguro, direto e sem escalas. Felicidade garantida se o incerto funcionasse. E agora pegar o ônibus deixa de ser uma opção, por seu orgulho e pelo atraso que sempre estará das demais, não foi disso que ela sempre correu? Da demora? Agora ela ficou condenada ali, a procurar o trem até sua história acabar ou até achar e provar que não estava doida quando o viu, que ele realmente existia e que tinha razão em acreditar em sua mente. O problema é que a história dela ainda não acabou até onde pude saber, então não sei qual foi o final, só sei que ela continua na busca para provar sua sanidade, eficiência e razão, esperando conseguir a recompensa que ela tinha
certeza que existia e que via.

1 comentários:

Tiago Albuquerque - Nakapa disse...

Cecíi, tava olhando muita coisa antiga de Wyd e lembrei de voce ! Ainda existe ? como andaaaa

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