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Terra de Todos Nós

Era uma vez a terra do nunca A
Onde nunca acontecia nada B
Lá em uma pobre rua morava C
Uma linda jovem apaixonada B

Ela sentia um frio na nuca A
Sempre que para a quina olhava C
Lá cruzava o seu olhar contente D
Com o do pobre cão que não gostava C

Com a sua pelugem vermelhusca A
Olhava empinado como gente D
Odiava o cão em pensamento E
Estima só seu amor coerente D

A certeza é o que ela busca
Ninguém gosta de cachorro sardento
Ainda mais aquele da esquina
Que olha pra ela todo momento

Durante a tarde entrou no fusca
Na busca do amor pela neblina
Por uma estrada cheia de curva
Até avistar a bela campina

Correu para o seu amado Luca
Mas caia uma malvada chuva
Que guiou a ela sem piedade
Pra beira de uma lagoa turva

E o amor que sempre a ofusca
Não se importou com sua idade
A fez crer que ele está a frente
A levando ao fundo na verdade

Havia, porém, um cão à rebuça
Que só com sua afeição em mente
Lançou-se ao resgate como Nume
Tentando puxá-la rapidamente

Não conseguiria tirá-la nunca
Pois mal se podia ver sua nuca
Soçobrava junto cor vermelhusca
Vão-se dois apaixonados na busca
Seja de a pé ou seja de fusca
Seja por mulher ou seja por Luca

Mal jeito de ver como amor ofusca!
e de como pode estar à rebuça.

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